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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Mundo não deve comemorar um novo apartheid, diz pesquisadora


Mundo não deve comemorar um novo apartheid, diz pesquisadora

Para Nadia Hijab, do Instituto de Estudos Palestinos, Israel segrega os árabes.
Ela diz que é preciso oferecer direitos humanos aos palestinos.
Daniel Buarque Do G1, em São Paulo

Em vez de celebrar a fundação de um Estado, o aniversário da independência israelense deve ser aproveitado para observar o sofrimento palestino, segundo a pesquisadora do Instituto para Estudos Palestinos Nadia Hijab.

Para Hijab, que é descendente de palestinos, o mundo não deve celebrar um novo apartheid, que é como se refere à situação dos palestinos sob domínio israelense. Apartheid é uma palavra usada para designar o sistema discriminatório implementado na África do Sul, na metade do século XX, que segregou oficialmente negros e brancos no país. Segundo ela, a legitimidade do Estado de Israel não está sendo questionada. “Israel existe. Isso é um fato. A Palestina, por outro lado, não existe. Os palestinos vivem em situação trágica”, disse, em entrevista ao G1, por telefone. Para ela, é importante focar numa resolução para a situação, para que os dois povos possam conviver pacificamente.
G1 – A senhora acha que o mundo deve comemorar os 60 anos do Estado de Israel? Por quê?
Nadia Hijab – O mundo celebrou o apartheid sul-africano? Não. A situação de Israel é comparável a esta, porque muitas das políticas israelenses em relação aos palestinos são iguais às do apartheid, e poderiam ser chamadas assim de acordo com a resolução da ONU sobre apartheid. Este termo já é usado até por analistas israelenses.
Não devemos celebrar porque os palestinos estão vivendo em situações realmente terríveis sob ocupação israelense na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Eles são exilados em campos de refugiados ou são cidadãos de segunda classe dentro do Estado de Israel. Há cerca de 1,2 milhão de palestinos com passaportes israelenses, e eles são vistos como cidadãos inferiores, e não têm os mesmos direitos que os cidadãos judeus israelenses. Estamos falando de três níveis de discriminação, então não acho que deva ser celebrado.
G1 – Alguns críticos atacam a atuação de Israel em relação aos palestinos e acabam atacando a própria existência do Estado judeu. A senhora acha que a legitimidade de Israel está em jogo?
Hijab – Os israelenses vivem reclamando que sua existência não é reconhecida, mas isso não está em questão. Israel existe. Isso é um fato. Ele faz parte da ONU, é reconhecido por quase todos os países das Nações Unidas, tem um Exército forte, uma economia importante. Ele existe, não está em jogo. A Palestina, por outro lado, não existe. Os palestinos vivem na situação trágica que descrevi, e não têm acesso aos direitos humanos básicos.
G1 – E qual a solução para este problema?
Hijab - Duas soluções são discutidas, com dois ou com um Estado apenas. O objetivo palestino desde os anos 70 é a formação de dois estados, um judeu e um palestino. O problema é que muitos palestinos hoje em dia acham impossível esta solução por conta dos assentamentos israelenses na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. A colonização da Cisjordânia se deu sob o argumento da segurança israelense, mas acabou causando a insegurança do Estado judeu. Para a solução de dois estados, Israel precisa se retirar da Cisjordânia, o que parece que não vai acontecer.

Uma segunda proposta vem então à tona, e não é a minha posição, apenas repito o que muitos palestinos querem. Os palestinos defendem, então, o estabelecimento de um único Estado israelense em toda a região, que ofereça cidadania igualitária a todos os palestinos vivendo no território. Seria um Estado secular e democrático em toda a região. Esta proposta põe em jogo a existência de um Estado judeu, mas acabaria com o apartheid e com o sofrimento dos palestinos na região. Seria um estado democrático secular como o Brasil, como os Estados Unidos, em que as minorias são respeitadas e têm direitos iguais.
G1 – Se tivéssemos uma solução de um único Estado, pode-se pensar o desenvolvimento econômico e militar israelense nas últimas décadas como algo positivo para a região?
Hijab – Não existe nenhum palestino que pense que tenha sido algo bom perder sua casa, viver sob ocupação ou no exílio, separado de suas famílias, ou ter sido atacado por tanto tempo. Nenhum palestino vai achar a independência de Israel algo positivo. Mas muitos estão dispostos a viver em paz. Os palestinos querem ter direitos e viver em situação de igualdade e em paz com os israelenses. A Palestina já era assim no passado, sob domínio britânico. Eles não querem mais conflitos, não querem acabar com Israel, mas viver em paz.
G1 – Analistas israelenses reclamam que o Estado judeu se tornou um bode expiatório da violência na região. O que a senhora acha disso?
Hijab – Claro que a região tem muitos problemas, mas acho que podemos culpar Israel por muitos dos problemas de violência. A própria independência de Israel envolveu violência, com a expulsão de palestinos que viviam na região. Este ato violento levou a uma situação caótica, criou clima para várias guerras, desestabilizou o próprio Líbano, a Jordânia, e vem massacrando os palestinos sob o domínio de Israel. Muitos dos problemas foram iniciados com o surgimento de Israel. Precisamos dizer que os palestinos também tiveram um sério problema de representação e liderança. As lideranças não conseguiram articular a questão palestina de forma a negociar uma melhora na qualidade de vida da população. Os líderes apenas aceitaram a colonização contínua por parte de Israel, ou se voltaram a uma forma de resistência que não funciona.
G1 – Pode-se falar também em “fogo amigo” quando os palestinos são defendidos pelo presidente do Irã, por exemplo, que ameaça Israel e acaba legitimando a imposição de força sobre os palestinos?
Hijab – Sim. As declarações de Mahmoud Ahmadinejad são péssimas para os palestinos. O discurso dele desculpa todas as atitudes violentas de Israel. As pessoas dão atenção ao que ele fala, e isso acaba servindo para legitimar o uso da força por parte de Israel.
G1 – O que a senhora acha que vai acontecer no futuro da relação israelense-palestina?
Hijab - Acho que podemos ter esperança quanto ao futuro. Tenho prestado muita atenção em como a mídia tem tratado os 60 anos de Israel e percebo que muito poucos veículos trataram do assunto sem abordar o "Nakba" palestino. A Palestina se tornou relevante, o que é muito diferente do que acontecia há 20 anos. Além disso, alguns israelenses já reconhecem o que Israel fez para se consolidar como Estado judeu, retirando palestinos, e eles estão tentando criar uma situação para melhorar a situação dos palestinos. É possível trabalhar juntos, e isso traz esperança.

Saúde e direitos humanos na Palestina - Médicos clamam por boicote à Israel

International medical community suggests"-- in view of the failure of other measures to influence those in power, serious consideration be given to targeted academic and trade boycotts [of Israel]--" From the lancet.com Published online January 9, 2009

Health and human rights in the Palestinian West Bank and GazaPalestine is split geographically into the West Bank and the Gaza strip. Gaza is the most densely populated area on earth: after first being crippled by blockade of its borders since 2007, Gaza is currently being bombed by the Israeli armed forces.1Unlike Gaza, the West Bank does not threaten Israel with missiles, but nevertheless suffers widespread erosions of human rights which we witnessed on a fact-finding tour in November, 2008.Restriction of movement due to the separation barrier and checkpoints, combined with the need for travel permits, delay access to hospitals for both patients and health workers. We saw 33-week-old triplet delayed for over 5 h while awaiting permits and finally transferred without their parents, and heard of hospital workers' commuting times increasing from 30 min to more than 2·5 h after the closure to them of nearby checkpoints. At the medical schools we heard of the immense difficulties staff and students face as a result of the paralysing restrictions on travel between institutions in the Occupied Territories.
The total blockade of Gaza meant our entry there was denied, as it has been for humanitarian workers and essential food, energy, and medical supplies since the closure of the border in early November. We heard from Physicians for Human Rights—Israel, of the reduction in exit permits being granted for treatment outside Gaza, and of the practice of denying exit to some patients unless they collaborate with the security service in intelligence gathering. We saw how the Palestinians' opportunities to make a living are being eroded, both by illegal Israeli settlements on their farmland and by discrimination against their industry.Violence continues at all levels: we spoke with schoolchildren, injured in stone-throwing attacks by Israeli children occurring while Israeli soldiers looked on. Children as young as 12 years are prosecuted in the Israeli military courts. The most common charge against children in the military courts is for stone-throwing, which under military law carries a maximum penalty of 20 years.Our experience in the West Bank caused us grave concerns, which have been realised more rapidly and deva-statingly than any of us could have anticipated, in the current dispro-portionate attacks by Israeli forces on Gaza. Our personal insight into this includes the attack by the Israeli navy on the boat Dignity when underway to provide emergency health care to Gaza, and which was carrying a member of our tour group. This report is for our colleagues around the world who might be unaware of the deliberate erosion of human rights in both the West Bank and Gaza. We suggest that, in view of the failure of other measures to influence those in power, serious consideration be given to targeted academic and trade boycotts.We declare that we have no conflict of interest.*David Worth, Su Metcalfe, John Boyd, Adrian Worrall, Paola Canaruttodworth@doctors.org.ukYork Hospital, York YO31 8HE, UK (DW); Department of Surgery, University of Cambridge Clinical School, Addenbrookes Hospital, Cambridge, UK (SM); St George's Medical School, London, UK (JB); Royal College of Psychiatrists' Centre for Quality Improvement, London, UK (AW); and Ospedale S Giovanni Bosco, Turin, Italy (PC)1 Falk R. Report of the Special Rapporteur on the situation of human rights in the Palestinian territories occupied by Israel since 1967. http://domino.un.org/UNISPAL.NSF/9a798adbf322aff38525617b006d88d7/061f1f4fbdecffe5852574d60065b4ba!OpenDocument (accessed Dec 8, 2008).2 Physicians for Human Rights—Israel. Holding health to ransom: GSS interrogation and extortion of Palestinian patients at Erez crossing. http://www.phr.org.il/phr/files/articlefile_1217866249125.pdf (accessedJan 5, 2009).3 Defence for Children International. Palestinian child political prisoners: semi annual report 2007. http://www.dci-pal.org/english/display.cfm?DocId=605&CategoryId=2 (accessed Dec 8, 2008).4 Tran M. Israel accused of ramming Gaza aid boat. The Guardian Dec 30, 2008. http://www.guardian.co.uk/world/2008/dec/30/israel-gaza-aid-ship (accessed Jan 4, 2009).Published Online January 9, 2009DOI:10.1016/S0140-6736(09)60013-1www.thelancet.com Published online January 9, 2009 DOI:10.1016/S0140-6736(09)60013-1 1

Ex-ministra israelense apóia livro de Carter: ‘Israel pratica forma brutal de apartheid contra palestinos’

Ex-ministra israelense apóia livro de Carter: ‘Israel pratica forma brutal de apartheid contra palestinos’

Fonte: Jornal Hora do Povo - 12 de Janeiro de 2007 - http://www.horadopovo.com.br/2007/janeiro/12-01-07/pag6e.htm


A ex-ministra da Educação israelense, Shulamit Aloni, denunciou que “a perseguição do stablishment judaico-americano faz sobre o ex-presidente Jimmy Carter é por sua ousadia em falar a verdade que já é amplamente conhecida: através de seu exército, o governo de Israel pratica uma forma brutal de apartheid nos territórios ocupados”.
“Esse exército”, prossegue Aloni, “tornou cada aldeia e cidade palestina em campo de detenção cercado e bloqueado. Tudo isso é feito com a finalidade de manter o olho sobre os movimentos da população e tornar sua vida difícil. Israel chega a impor toques de recolher sempre que os colonos, que usurparam ilegalmente as terras palestinas celebram seus feriados e fazem suas paradas festivas”.
“Como se isso não bastasse, os generais no comando da região expedem ordens, regulamentações, instruções e normas como se fossem os senhores da terra. Agora estão requisitando mais terras para construer estradas ‘só para judeus’. Estradas maravilhosas, bem pavimentadas, brilhantemente iluminadas à noite – tudo em terras roubadas. Quando um palestino ousa dirigir em tais estradas, seu carro é confiscado e ele é ordenado a seguir a pé”, denunciou a ex-ministra.

Jimmy Carter e o apartheid israelense

ORIENTE MÉDIO / LUTA IDEOLÓGICA
Fonte: Le Monde Diplomatique - Setembro de 2007 - http://diplo.uol.com.br/2007-09,a1906

Jimmy Carter e o apartheid israelense
Por ter denunciado as condições desumanas impostas à população palestina e a desapropriação de suas terras por colonos judeus, o ex-presidente norte-americano foi acusado de anti-semitismo e tornou-se alvo de uma cruzada da extrema-direita
Mariano Aguirre

“Como é possível que esse homem tenha se tornado presidente dos Estados Unidos?” — New York Post no editorial de 15 de janeiro de 2007. Todo leitor, por pouco informado que seja, pensa que o jornal do grupo Robert Murdoch esteja acertando contas com George W. Bush. Mas não é disso que se trata. “Presidente fracassado, tornou-se um amigo dos tiranos da esquerda, inimigo global de todos os interesses legítimos da América”, prossegue o jornal. Quem é esse presidente, “conselheiro de relações públicas de Yasser Arafat”, que “demoniza Israel”, e que, além disso, “desculpa execuções em massa”? A resposta: Jimmy Carter. “Ele passou do limite”, inflama-se o New York Post, pedindo ao Partido Democrata que reaja a tudo o que o ex-inquilino da Casa Branca possa declarar.
O que terá feito o ex-presidente (1977-1981) para merecer tal tratamento? Escreveu um livro: Palestina. Paz, sim. Apartheid, não. [1] , afirma que, se a repressão continuar em Gaza e na Cisjordânia, se Israel não consentir em negociar a existência de um Estado palestino, poderemos chegar a uma situação semelhante à do apartheid sul-africano: “dois povos habitando a mesma terra, mas completamente separados um do outro, com os israelenses ocupando a posição dominante e privando os palestinos, de forma repressiva e violenta, de seus direitos fundamentais”. Em resposta, a Liga Antidifamação mandou publicar anúncios em diversos jornais, acusando-o de anti-semitismo.
Carter respondeu , deixando claro que estava se referindo ao impacto da situação na Palestina, e não na democracia israelense. A comparação, a despeito disso, provocou duras reações de parte da comunidade judaica norte-americana que, a exemplo da Liga Antidifamação, rotula toda crítica à política israelense como anti-semitismo. O efeito foi imediato: o Partido Democrata acatou os conselhos do New York Post. Tanto Howard Dean, presidente do partido, quanto Nancy Pelosi, sua líder no Congresso, distanciaram-se de Carter. Decisão incômoda, pois, em período eleitoral, obrigou-os a assumir publicamente uma posição diante do conflito israelense-palestino.
Os leitores não pensam da mesma maneira: vários meses após a sua publicação, o livro continua a fazer bastante sucesso. Analista político, judeu norte-americano e diretor do US Middle East Project, Henry Siegman estima que se trata de uma obra normal e sem grandes novidades, e que o pânico que provocou “revela a ignorância do sistema político norte-americano, tanto entre os democratas, quanto entre os republicanos, sobre o conflito israelense-palestino » [2].
Carter, que aproximou as posições de Israel e do Egito quanto à retirada das forças israelenses da península do Sinai, de forma a possibilitar a assinatura do Acordo de Camp David (1979), fala, no livro, de suas recordações de viagem e contatos com os dirigentes da região, há 30 anos. Discorrendo didaticamente sobre o conflito, faz uma compilação equilibrada das propostas de paz existentes, levando em conta a necessidade de um Estado para cada uma das duas comunidades, e de garantias de segurança suficientes para Israel. Para quem o lê sem preconceitos, o livro critica a política israelense, mas não é hostil ao país, contrariamente ao que seus detratores querem demonstrar.
Enquanto a repressão israelense continuar, haverá terrorismo, afiança Carter, na contramão da “guerra ao terror” de Bush. Ressalta igualmente que “a colonização e o controle contínuos das terras palestinas por parte de Israel foram os principais obstáculos para a obtenção de um amplo acordo de paz na Terra Santa”. Sem deixar de condenar o terrorismo palestino – o que não é suficiente para Ethan Bronner, um crítico do New York Times [3]–, o ex-presidente acrescenta que, desde o acordo de Camp David, os governos israelenses foram os principais obstrutores do processo de paz. Lembra, com efeito, que o primeiro-ministro israelense, Menahem Begin, foi o primeiro a recusar a aplicação de algumas das disposições do acordo, tais como o respeito às resoluções 242 e 338 da ONU, que proibia a apropriação do território por meio da força, solicitando a retirada israelense da Cisjordânia e de Gaza e “o reconhecimento do povo palestino enquanto entidade política diferente e com direito de determinar seu futuro". Além disso, ele concorda com as teses segundo as quais, durante a conferência de Camp David de julho de 2001, entre o presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, o primeiro-ministro israelense Ehud Barak e o líder palestino Yasser Arafat, não teriam sido feitas propostas concretas a Arafat sobre a construção de um Estado palestino. Seria, portanto, falso afirmar que o presidente palestino impediu as negociações, tendo assim desperdiçado uma grande oportunidade. Por ter desenvolvido tal hipótese, Carter foi repreendido por Denis Ross, o emissário especial de Clinton para o Oriente Médio [4]. No entanto, tal hipótese é defendida por outros especialistas [5]
“Há um incômodo generalizado no mundo árabe e na Europa, que, porém, não é sentido nos Estados Unidos, a respeito da ausência de consideração por nosso governo do sofrimento palestino”, diz Carter. “E não é preciso ser contra Israel para, no entanto, proteger o direito dos palestinos de viver em seu próprio território e em paz, sem estarem sujeitos à ocupação por uma potência” [6]. Comum na Europa e no mundo árabe, esse tipo de afirmação é de fato menos freqüente nos Estados Unidos.
O ex-presidente menciona, ainda, que o governo de George W. Bush abandonou os palestinos à sua triste sorte, e lembra que Israel bloqueia as possibilidades de um acordo. A recusa dos governos Bush e Olmert em negociar com o governo de coalizão palestina (Fatah e Hamas), em março de 2007, confirmou dramaticamente essa realidade. Violentamente atacado por sua referência ao apartheid, Carter reafirmou sua posição declarando: “A alternativa à paz é o apartheid, não dentro de Israel, repito, mas na Cisjordânia, em Gaza e em Jerusalém Oriental, territórios palestinos. É nesta zona que o apartheid existe sob sua forma mais desprezível, os palestinos são privados de seus direitos humanos mais fundamentais” [7]. Em face desse fato, Carter insiste sobre as três condições necessárias para conquistar a paz na região: garantias para a segurança do Estado de Israel, fim da violência dos palestinos, e reconhecimento, por parte de Israel, do direito desses últimos disporem de um Estado nas fronteiras anteriores a 1967.
Carter chegou a dizer que a vida pode ser “mais opressiva” para os palestinos da Cisjordânia do que era para a população negra sul-africana. Em termos econômicos, Israel depende, cada vez menos, da força de trabalho palestina, em razão dos fluxos migratórios vindos de outros países; a ocupação de Gaza e da Cisjordânia mobiliza muito mais efetivos de segurança que os requeridos pelo regime sul-africano; os colonos israelenses ocuparam a terra palestina e, para tornar sua vida e sua infra-estrutura seguras, o Estado israelense faz uso de um sofisticado sistema de controle dos palestinos.
Em um longo artigo, Joseph Lelyveld, até pouco tempo atrás diretor executivo do New York Times e ex-correspondente na África do Sul, considera que Carter empregou de modo restrito o conceito de apartheid ao aplicá-lo ao problema israelense-palestino, pois ele o limita à separação entre israelenses e palestinos e ao confisco das terras por parte de Israel. Para ele, no entanto, o problema é muito mais grave e as semelhanças entre o apartheid e o sistema israelenses são ainda mais numerosas. Comparando as duas situações, Lelyveld ressalta que, proporcionalmente, Israel apropriou-se da mesma quantidade de territórios que o regime racista da África do Sul. Durante o apartheid, havia um sistema extremamente complexo de permissões para regular os deslocamentos dos indivíduos, de acordo com seu estatuto legal, como impõe, hoje em dia, Israel, por meio de um regime similar, para classificar e limitar o deslocamento dos palestinos.
O correspondente do jornal britânico The Guardian em Israel, Chris McGreal, acrescenta: “Há poucos lugares no mundo onde os governos constroem uma série de leis sobre as nacionalidades e as residências, concebidas para serem utilizadas por uma parte da população contra a outra.A África do Sul do apartheid foi um deles. Israel é outro” [8] O jornalista fala com conhecimento de causa, pois também foi correspondente do The Guardian, durante dez anos, na África do Sul. As comparações que estabelece entre os aspectos da dominação israelense sobre os palestinos e os do apartheid sul-africano confirmam as semelhanças, não apenas das formas de opressão, como também do sofrimento infligido.
Os serviços públicos oferecidos pelo município de Jerusalém, por exemplo, são freqüentemente melhores para os israelenses do que para os palestinos que vivem na parte anexa à cidade. Pouco após a publicação, em The Guardian, dos artigos expondo as comparações e as estreitas relações militares que existiam entre o regime do apartheid e Israel, o Committe for the Accurancy in Middle East Report in America (Camera) acusou Chris McGreal de mentir e de falsificar fatos para deslegitimar Israel [9]
Na realidade, a acusação que pesa sobre Tel Aviv, de aplicar um sistema similar ao do apartheid, é cada vez mais freqüente dentro da própria sociedade israelense. Para os críticos do governo – tais como o corajoso advogado Daniel Seidemann, que defende os palestinos há anos, apoiando-se nas leis israelenses – e para as organizações de defesa dos direitos humanos, trata-se de um fato. Vários autores compararam os dois regimes – o apartheid sul-africano e a ocupação israelense dos territórios palestinos. A fundação social-democrata alemã Friedrich Ebert, por exemplo, publicou três estudos sobre o processo de negociação e de transição sul-africana e sobre os ensinamentos que poderiam ser tirados para conquistar um processo de paz entre Israel e Palestina [10].
A exclusão dos palestinos iniciou-se em 1948, com a expulsão de 750.000 pessoas. Essa política continua, mediante diversas formas de pressão, para forçá-los a abandonar sua luta por um Estado, partir ou aceitar viver em zonas distantes, submetidos à condição de cidadãos de segunda classe (de acordo com essa interpretação, a retirada israelense de Gaza foi uma forma de prisão para a população local). Em um livro bastante documentado, Ilan Pappe descreve as formas repressivas institucionalizadas que seu país utilizou para transferir a população palestina e submetê-la a um estatuto de cidadania de segunda classe. Indo bem mais longe do que o ex-presidente Carter, Pappe considera que, se “limpeza étnica” significa “a expulsão pela força de uma região ou território particular com o intuito de homogeneizar uma população etnicamente mista”, e se “a intenção dessa expulsão é a de provocar o êxodo de uma grande maioria de residentes, colocando todos os meios à disposição daquele que expulsa”, então Israel praticou tal procedimento durante seis décadas [11]
Situação destrutiva para os palestinos, mas igualmente para a sociedade israelense. Um artigo da revista judaica Tiddun, publicada nos Estados Unidos, afirma que os ideais do sionismo – criar um Estado que fornecesse refúgio à comunidade judaica no mundo e que constituísse modelo de liberdade – foram frustrados. “O sonho sionista tornou-se um pesadelo”, declara Jerome Slater. “Por um lado porque não há lugar mais perigoso para os israelenses do que Israel, e, por outro, em razão do ‘pecado original’, de ter desprovido os palestinos de sua terra” [12].
As mesmas críticas feitas por Carter em relação a Israel e aos Estados Unidos encontram-se, de forma mais detalhada, no recente livro do norte-americano de origem palestina Rashid Khalidi, igualmente vítima de ataques sistemáticos desde que a Universidade de Columbia atribuiu-lhe, em 2003, a cátedra de Edward Said e a direção do Instituto de Estudos sobre o Oriente Médio [13]. Em suas últimas obras, Khalidi descreve a relação existente entre a concepção imperialista das relações norte-americanas com o Oriente Médio e a maneira pela qual Tel Aviv e Washington impedem a formação de um Estado palestino [14]. O New York Post, que o acusou de anti-semitismo em 2004, insinuou igualmente que a cátedra de Edward Said era financiada por certos governos árabes.
A pressão , da qual Khalidi é vítima, tornou-se uma prática freqüente nos campus universitários dos Estados Unidos. Diversas organizações, entre as quais algumas de estudantes, são encarregadas de pesquisar sobre tudo o que dizem e fazem os professores qualificados como “anti-semitas”, e fazer filmes acusando-os e denunciando-os. A organização David Project Center for Jewish Leadership, de Boston, realizou um filme, em 2004, sobre as supostas pressões acadêmicas e políticas dos professores Joseph Massal e George Saliba, da Universidade de Columbia, contra estudantes judeus [15]. Em seu site na internet, encontra-se uma seleção de mais de 30 artigos criticando o livro de Carter [16]. Há, igualmente, grupos e sites da web encarregados de analisar o trabalho de organizações de defesa dos direitos humanos e de fundações norte-americanas, para denunciar o que consideram como políticas anti-semitas ou de apoio econômico a organizações palestinas.
Acusando Khalidi de “não ser objetivo” [17], Campus Watch organizou, por sua vez, uma denúncia sistemática das supostas declarações contra Israel e os Estados Unidos nas salas de aula. Em uma página na web, criada pelo antiislamista de extrema direita Daniel Pipes, os estudantes são estimulados a fornecer informações sobre os professores [18]. A tensão em torno dos professores críticos em relação a Tel Aviv aumentou, no ano passado, quando dois acadêmicos liberais de prestígio, especialistas em relações internacionais, publicaram um ensaio ressaltando que os “grupos de pressão judeus” nos Estados Unidos dominavam, em grande medida, a política externa americana no Oriente Médio e que a guerra do Iraque não teria sido possível sem o clima criado por eles [19]. A reação foi bastante dura.
Alguns meses mais tarde, o acadêmico britânico de origem juda ica Tony Judt, diretor do Instituto Remarque da Universidade de Nova York, dedicado a estudos europeus, foi igualmente vítima de uma campanha, por suas supostas idéias “anti-semitas”. Ele havia sustentado que a única solução para o conflito do Oriente Médio seria a existência de um Estado israelense-palestino, integrando as duas nações [20]. Como em sua juventude Judt manteve posições pró-israelenses, , hoje em dia, ele é considerado traidor. Em outubro de 2006, a Liga Antidifamação pressionou o consulado polonês em Nova York para que fosse anulada uma conferência que ele deveria pronunciar nesse país. A anulação iniciou uma áspera polêmica. No entanto, Judt pôde ressaltar que o futuro de Israel estaria comprometido se esse país continuasse com sua política de ocupação repressiva na palestina. Ele o fez em um jornal liberal israelense [21].
traduções deste texto >> English — Shooting the messengers français — Israël, l'antisémitisme et l'ex-président James (...) فارسى — اسرائيل، يهودستيزي و جيمز کارتر
[1] Jimmy Carter. Palestina. Paz, sim. Apartheid, não. Lisboa, Editora QuidNovi, 2007.
[2] Henry Siegman, “ Hurricane Carter ”, The Nation, 22 de janeiro de 2007.
[3] Ethan Bronner, “Jews, Arabs and Jimmy Carter”, The New York Times, 7 de janeiro de 2007.
[4] Dennis Ross, “Don’t play with maps”, The New York Times, 9 de janeiro de 2007.
[5] Ver Hussein Agha e Robert Malley, “Camp David: the Tragedy of Errors”, New York Review of Books, 9 de agosto de 2001. Tanya Reinhart, “Israel-Palestina. How to End the War of 1948”, Seven Stories Press, Nova York, 2002. E Alain Gresh, “Uma paz despedaçada?”, Le monde diplomatique -Brasil, julho de 2002.
[6] Entrevista com Amy Goodman e James Carter no programa Democracy Now!, 30 de novembro de 2006.
[7] Idem.
[8] Chris McGreal, “Worlds Apart”, The Guardian, 6 de fevereiro de 2006.
[9] Câmera, 20 de fevereiro de 2006.
[10] Yair Hirschfeld, Avivit Hai, Gary Susman, Learning from South Africa. Lessons to the Israeli-Palestinian Case. Israel, Friedrich Ebert Stiftung e Economic Cooperation Foundation, 2003.
[11] Ilan Pappe, The ethnic cleansing of Palestina, Oxford, Oneworld Publications, 2006.
[12] Jerome Slater, “The need to know” (resenha do livro de Tanya Reinhart, The road map to nowhere), Tikkun , janeiro de 2007. Essa revista publicou igualmente uma entrevista com Carter: “Current Thinking”, janeiro de 2007.
[13] Rashid Khalidi, The iron cage: the story of the Palestinian struggle for statehood, Boston, Beacon Press, 2006.
[14] Rashid Khalidi, Resurrecting Empire, Boston, Beacon Press, 2004.
[15] “Mideast tensions are getting personal on campus at Columbia”, The New York Times, 18 de janeiro de 2005.
[16] Leia mais
[17] Philip Kennicott, “The knowledge that doesn’t power”, The Washington Post, 13 de maio 2004.
[18] Leia mais
[19] John Mearsheimer e Stephen Walt, “The Israeli lobby”, The London Review of Books, 23 de março de 2006.
[20] Tony Judt, “ Israel : the alternative ”, The New York Review of Books, 23 de outubro de 2003.
[21] . Tony Judt, “The country that wouldn’t grow up”, Haaretz, 18 de dezembro de 2006.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Apartheid pior que na África do Sul

Israel 2007: Pior que o Apartheid na África do Sul
Ronnie Kasrils is a South African politician of Lithuanian-Latvian Jewish descent.

Travelling into Palestine’s West Bank and Gaza Strip, which I visited recently, is like a surreal trip back into an apartheid state of emergency. It is chilling to pass through the myriad checkpoints – more than 500 in the West Bank. They are controlled by heavily armed soldiers, youthful but grim, tensely watching every movement, fingers on the trigger. Fortunately for me, travelling in a South African embassy vehicle with official documents and escort, the delays were brief. Sweeping past the lines of Palestinians on foot or in taxis was like a view of the silent, depressed pass-office queues of South Africa’s past. A journey from one West Bank town to another that could take 20 minutes by car now takes seven hours for Palestinians, with manifold indignities at the hands of teenage soldiers.
My friend, peace activist Terry Boullata, has virtually given up her teaching job. The monstrous apartheid wall cuts off her East Jerusalem house from her school, which was once across the road, and now takes an hour’s journey. Yet she is better off than the farmers of Qalqilya, whose once prosperous agricultural town is totally surrounded by the wall and economically wasted. There is only one gated entry point. The key is with the occupation soldiers. Often they are not even there to let anyone in or out.
Bethlehem too is totally enclosed by the wall, with two gated entry points. The Israelis have added insult to injury by plastering the entrances with giant scenic posters welcoming tourists to Christ’s birthplace. The “security barrier”, as the Israeli’s term it, is designed to crush the human spirit as much as to enclose the Palestinians in ghettoes. Like a reptile, it transforms its shape and cuts across agricultural lands as a steel-and-wire barrier, with watchtowers, ditches, patrol roads and alarm systems. It will be 700km long and, at a height of 8m to 9m in places, dwarfs the Berlin Wall.
The purpose of the barrier becomes clearest in open country. Its route cuts huge swathes into the West Bank to incorporate into Israel the illegal Jewish settlements – some of which are huge towns – and annexes more and more Palestinian territory. The Israelis claim the purpose of the wall is purely to keep out terrorists. If that were the case, the Palestinians argue, why has it not been built along the 1967 Green Line border? One can only agree with the observation of Minister in the Presidency Essop Pahad, who has stated: “It has become abundantly clear that the wall and checkpoints are principally aimed at advancing the safety, convenience and comfort of settlers.”
The West Bank, once 22% of historic Palestine, has shrunk to perhaps 10% to 12% of living space for its inhabitants, and is split into several fragments, including the fertile Jordan Valley, which is a security preserve for Jewish settlers and the Israeli Defence Force. Like the Gaza Strip, the West Bank is effectively a hermetically sealed prison. It is shocking to discover that certain roads are barred to Palestinians and reserved for Jewish settlers. I try in vain to recall anything quite as obscene in apartheid South Africa.
Gaza provides a desolate landscape of poverty, grime and bombed-out structures. Incon- gruously, we are able to host South Africa’s Freedom Day reception in a restaurant overlooking the splendid harbour and beach. Gunfire rattles up and down the street, briefly interrupting our proceedings, as some militia or other celebrates news of the recovery from hospital of a wounded comrade. Idle fishing boats bob in long lines in the harbour, for times are bad. They are confined by Israel to 3km of the coast and fishing is consequently unproductive. Yet, somehow, the guests are provided with a good feast in best Palestinian tradition.
South Africa’s stated position is clear. The immediate demands are recognition of the government of national unity, the lifting of economic sanctions and blockade of the Palestinian territories, an end to the 40-year-old military occupation and resumption of negotiations for a two-state solution.

Israel em 2007: Apartheid pior que na África do Sul
Ronnie Kasrils é um político sul-africano, de ascendência de judeus da Lituânia

Viajar para a Palestina, seja na Cisjordânia ou na Faixa de Gaza, que visitei recentemente, é como uma viagem surreal de volta à um Estado de Apartheid em estado de exceção. É terrível passar por uma miríade de pontos de checagem - mais de 500 na Cisjordânia. Eles são controlados por soldados com armamento pesado, jovens mas sérios, observando tensamente cada movimento, com dedos no gatilho. Felizmente para mim, viajar em um veículo oficial da embaixada da África do Sul, com documentos oficiais e escolta, ajudou-me a passar pelas filas deprimentes do passado sul-africano. Uma viagem entre uma cidade da Cisjordânia para outra, o que poderia levar vinte minutos de carro, agora toma sete horas de um palestino, com muitas indignidades cometidas pelas mãos de soldados israelenses ainda adolescentes.
Minha amiga, uma pacifista chamada Terry Boullata, virtualmente desistiu de seu emprego de professora. O monstruoso muro de apartheid que corta sua cidade, Jerusalem, rasgando sua casa até a escola, que apenas era separada por uma estrada, agora leva horas de viagem. No entanto, ela tem ainda melhores condições que os agricultores de Qalqilya, uma antes próspera cidade agrícola, agora totalmente cercada pelo muro e economicamente destruída. Só há um ponto de entrada. A chave está com os soldados da força de ocupação. Algumas vezes eles nem ficam lá para permitir que alguém entre ou saia.
Belém também está totalmente cercada pelo muro, com dois pontos de entrada. Os israelenses adicionaram um elemento de insulto, colocando nas entradas, cartazes gigantes dando boas-vindas aos turistas que adentram no local de nascimento de Jesus Cristo. A "barreira de segurança", como Israel chama, foi designada para esmagar o espírito humano assim como para trancafiar os palestinos em guetos. Como um réptil, ele se transfoma, molda-se e corta terras de camponeses, com cercas de arame farpado, torres de vigilância, sistemas de alarme, estradas para patrulha e trincheiras. Este muro terá setecentos quilômetros de extensão e entre oito e nove metros de altura, fazendo do Muro de Berlim um anão.
O propósito desta barreira se evidencia no centro do país. Sua rota corta vastas áreas da Cisjordânia, para incorporá-las nos assentamentos judeus de Israel, ilegais, muitos deles grandes cidades, e anexar cada vez mais território palestino. Israel diz que o propósito é puramente afastar terroristas. Se este fosse o caso, por que não construí-lo na Linha Verde estabelecida como fronteiras de um armísticio em 1967? Qualquer um concorda com o ponto levantado pelo Ministro na Presidência Essop Pahad, que disse que "Fica evidentemente claro que o muro e os pontos de checagem são feitos com o objetivo principal de garantir segurança, conveniência e conforto para os colonos judeu-israelenses."
A Cisjordânia, hoje apenas 22% da Palestina histórica, encolheu para, talvez, 10% ou 12% de espaço e foi dividida em pequenas áreas fragmentadas, incluindo o Vale do Jordão, cuja segurança preserva colonos judeus e as Forças Armadas de Israel. Como a Faixa de Gaza, a Cisjordânia é efetivamente uma prisão hermeticamente fechada. Eu tento, em vão, relembrar de algo tão parecido e obsceno como o apartheid na África do Sul.
Gaza confere uma desoladora imagem de pobreza e destruição. De modo incongruente, nós fomos recebidos em uma festa para comemorar o dia da Liberdade da África do Sul em um restaurante com uma esplêndida vista para o mar. Às vezes, nossa reunião era interrompida por tiros de arma comemorando a recuperação de um companheiro ferido, em um hospital. Barcos pesqueiros não são permitidos a se afastarem. Eles são confinados, por Israel, à três quilômetros da praia, o que é improdutivo. Ainda assim, não sei como, os convidados são recebidos com grandes festas no melhor estilo palestino.
(...)
A posição do governo Sul Africano é clara [para a Palestina e Israel]. A imediata demanda por reconhecimento de um governo de unidade nacional, com o fim das sanções e bloqueio econômico dos territórios palestinos, terminando com quarenta anos de antiga ocupação militar e resumindo com uma solução de dois Estados. (...)

Fonte / Source: If Americans Knew - http://www.ifamericansknew.org/cur_sit/israelworse.html