sexta-feira, 4 de junho de 2010
Os novos corsários...
Os novos corsários: reflexões sobre o injustificável ataque à “Frota da Liberdade”
Vinicius Valentin Raduan Miguel *
Santo Agostinho conta a história de um pirata capturado por Alexandre, o Grande, que lhe perguntou: “Como você ousa molestar o mar?”. “E como você ousa desafiar o mundo inteiro?”, replicou o pirata. “Pois, por fazer isso apenas com um pequeno navio, sou chamado de ladrão; mas você, que o faz com uma marinha enorme, é chamado de imperador." - Chomsky, 2006
De um ladrão para um nobre: Tal é nossa diferença, ó melhor dos príncipes: Eu conquisto algumas moedas; tu roubas as províncias - Victor Hugo, escritor francês.
De que forma é possível compreender as políticas israelenses de segregação étnico-religiosa sem fazer alusão ao hediondo sistema de apartheid sul-africano? Como caracterizar a discriminação sistemática contra a minoria palestina e árabe-israelense, senão como segregacionismo?
Como não traçar um paralelo entre o processo de expropriação territorial da era colonial, ocorrida na América Latina e na África, e a expulsão do povo palestino? Como definir o longo e brutal cerco israelense à Gaza – impedindo a entrada de alimentos, medicamentos e de material para a reconstrução – senão a transformação da região em um ghetto?
E o que foi o ataque ao ghetto de Gaza (dezembro de 2008/janeiro de 2009) senão um pogrom? Como justificar os ataques indiscriminados à população civil palestina, senão imbuindo-se de uma pretensa mission civilisatrice que, simultaneamente, abona o crime de guerra dos caças F-16 israelenses e inculpa, de forma totalizante, os civis mortos em terra pela própria morte?
Como aceitar seis décadas de ocupação militar e colonialismo? Como ignorar o entrelaçamento desses sobrerreferidos capítulos do drama palestino e não perceber um quadro de iterados crimes contra a humanidade?
O cerco à Gaza, imposto desde 2007, é criminoso. Obstruir a entrada de alimentos, medicamentos e mercadorias, combustível e eletricidade por três anos viola o princípio da distinção entre civis e combatentes. A medida provoca um espetáculo grotesco: a população inteira é obrigada a assistir a fome, a pobreza e a morte dos seus entes queridos.
Registre-se que o povo de Gaza está encarcerado, não podendo sair do local. Resta-lhes, confinados em uma zona de guerra total, aceitar o sofrimento coletivo cominado pela potência ocupante.
Impedir a chegada de ajuda humanitária não é um exercício da soberania israelense – é uma mostra da agressividade sem lindes éticos. Denota a opção de Israel pelo confronto e pela violência, ainda que contra civis e observadores internacionais.
Atacar navios – estejam eles levando ajuda humanitária ou não - é pirataria. Matar pessoas é assassinato. Fazê-lo na tentativa de desencorajar o apoio internacional à causa palestina é terrorismo de Estado.
Referências
CHOMSKY, Noam. Piratas e Imperadores, Antigos e Modernos. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.
* Vinicius Valentin Raduan Miguel é cientista social (Universidade Federal de Rondônia) e mestre em “Direitos Humanos e Política Internacional” (Universidade de Glasgow).
Republicação de:
http://www.ecodebate.com.br/2010/06/02/
domingo, 7 de março de 2010
Cerco em Gaza completa 1000 dias
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Corte Penal Internacional planeja investigar, processar e julgar oficial do Exército de Israel
terça-feira, 7 de julho de 2009
Gaza: Not a war of self-defense
Victor Kattan/JURIST - The images speak for themselves. For two weeks the scenes of carnage, mutilated body parts, and dead children have haunted our television screens and appeared in pictures in newspapers and on the internet. Israel has used all the sophisticated military paraphernalia at its disposal to destroy Hamas. And Hamas has in turn continued to fire rockets into Israel. Since Israel launched its offensive in Gaza on 27 December 2008, 1,010 Palestinians and thirteen Israelis have been killed. Of the Israeli dead 10 have been soldiers and three are civilians. According to the Ministry of Health in Gaza, one third of the dead are children. Almost 5,000 Palestinians have been injured. We do not know the exact proportion of Hamas fighters amongst the figures for Palestinian dead. Israel is not allowing any foreign journalists to enter the Strip to independently verify the facts.
In resolution 1860, the UN Security Council stressed the urgency of the situation and called for “an immediate, durable and fully respected ceasefire, leading to the full withdrawal of Israeli forces from Gaza.” The resolution has been ignored by both sides and Israeli troops are reported to have entered Gaza City. But was this war necessary? And is it lawful?
On the very morning Israel launched its offensive in Gaza, the day it killed 225 Palestinians, Gabriela Shalev, its UN Ambassador, sent a letter to the UN Secretary-General announcing that “after a long period of utmost restraint, the Government of Israel has decided to exercise, as of this morning, its right to self-defence.” Two weeks into the conflict, the US House of Representatives passed a non-binding resolution “recognizing Israel’s right to defend itself against attacks from Gaza” by a majority of 390-5. On 6 January, when an Israeli tank shell killed 40 Palestinians at a UN school, Australia’s Prime Minister Kevin Rudd said: “Australia recognizes Israel’s right to self-defence.” And in his last press conference at the White House, President George W. Bush said that Israel had the right to defend itself, but should be mindful of “innocent folks.”
It may therefore come as a surprise to some that, despite these statements, many international lawyers argue that Israel cannot rely on the right of self-defence to justify its actions in Gaza. In a letter published in the Sunday Times Israel’s plea of self-defence was rejected by over two dozen international lawyers. They argued that Israel’s actions in the Gaza Strip amount to aggression, not self-defence.
Continuation: http://www.humanrights-geneva.info/Gaza-Not-a-war-of-self-defense,4031
Gaza: Uma guerra que certamente não é de legítima defesa
1. Apresentação
As imagens falam por si. Por semanas tivemos imagens de um massacre: corpos mutilados e crianças mortas assombrando as telas da televisão e chocando em fotografias nos jornais e na internet. Israel usou todo seu sofisticado arsenal para destruir o Hamas. E o Hamas, por sua vez, continuou a atirar seus foguetes em Israel. Desde que Israel lançou sua operação em Gaza no dia 27 de dezembro de 2008, 1010 palestinos e trezes israelenses foram mortos (1). De acordo com o Ministério da Saúde em Gaza, um terço dos mortos são crianças. Aproximadamente 5000 palestinos foram feridos. Não sabemos a exata proporção de combatentes do Hamas entre os números de mortos. Israel também bloqueou a entrada de jornalistas internacionais para uma verificação independente dos fatos.
Na resolução 1860, o Conselho de Segurança da ONU destacou a urgência da situação e fez um apelo para um "imediato, durável e completo respeito ao cessar-fogo, levando à retirada de forças israelenses de Gaza". A resolução foi sendo ignorada pelos dois lados e tropas israelenses entraram na Cidade de Gaza. Mas foi esta guerra necessária? E foi juridicamente aceitável?
Na primeira manhã em que Israel lançou sua ofensiva em Gaza matando 225 palestinos, a embaixadora israelense para a ONU, Gabriela Shalev encaminhou uma carta ao Secretário-Geral anunciando que "após um longo período de supremo autocontrole, o governo de Israel decidiu exercer, nesta manhã, seu direito à legítima defesa". Duas semanas após o início do conflito, a Câmara dos Deputados dos EUA adotou uma resolução "reconhecendo o direito de Israel à legítima defesa contra os ataques de Gaza" por uma maioria de 390 votos contra 5. No dia 6 de janeiro de 2009, quando um ataque de um tanque israelense matou 40 palestinos em uma escola da ONU, o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd reafirmou que a "Australia reconhece o direito de Israel à legítima defesa". Na última conferência à imprensa, o então presidente George W. Bush declarou que Israel tem direito a se defender, mas deveria atentar para "as pessoas inocentes".
Pode causar espanto que, apesar destas declarações, muitos especialistas em Direito Internacional argumentam que Israel não pode sustentar o direito à legítima defesa para justificar suas ações em Gaza. Em uma carta publicada no jornal Sunday Times (2), o argumento de legítima defesa pretendido por Israel for rejeitado por duas dúzias de especialistas em Direito Internacional. Eles argumentam que as ações israelenses na Faixa de Gaza são uma agressão e não legítima defesa.
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
Report: Sinn Fein's Gerry Adams calls Gaza 'an open-air prison'
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| By Haaretz Service | |||||
Sinn Fein leader Gerry Adams on Thursday denounced the Israel-led blockade on Gaza as has having made the coastal strip into an "open-air prison," news outlets reported. "This is a total denial of the rights of the people of Palestine. This is an open-air prison," The Guardian quoted the Sinn Fein president as saying during a visit to the Hamas-ruled territory. "People can't travel out of here, they can't travel in." Israel and Egypt imposed a blockade on Gaza after Hamas ousted its secular rival Fatah in a bloody 2007 coup. During the visit, Adams met with the Palestinian Islamist group's Gaza leader Ismail Haniyeh. According to the Palestinian news agency Ma'an, Haniyeh told the Northern Irish republican leader that Israel achieved nothing in its recent offensive against Hamas apart from "killing innocent men, women, children and police officers." Adams, for his part, called for direct negotiations between Israel and the Palestinians to prevent a repeat of Operation Cast Lead. "The obligation is that what happened here doesn't happen again," AFP quoted Adams as saying. | |||||
segunda-feira, 23 de março de 2009
Grupos de Direitos Humanos: Forças de Ocupação mataram 16 profissionais de saúde durante operação em Gaza
Rights group: IDF killed 16 medical workers during Gaza op
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| By Amira Hass and Reuters | |||||
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The report also raises questions of whether IDF soldiers violated the IDF's own ethical code and basic humanitarian values, when they prevented treatment and the evacuation of the wounded and fired at emergency rescue teams and Palestinian medical facilities. | |||||